Reportagem realizada pelo jornalista Flávio Sampaio / Revista Exame
Com 212.583.750 vidas em sua “carteira de clientes”, a totalidade dos habitantes do Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema público de saúde do mundo. Pela Constituição, o SUS deve ser universal a todos os brasileiros, sem custo. Mais do que prover saúde universal, o desafio é também prover saúde digital.
Desde 2023, comando a Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi), Secretaria do Ministério da Saúde que reuniu três departamentos que antes trabalhavam de forma separada: Departamento de Informação e Informática do SUS (Datasus), Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (Demas) e Departamento de Saúde Digital e Inovação (Desd). “O SUS faz cerca de 2,8 bilhões de atendimentos por ano. Esse é um exemplo do nosso tamanho e potência”.
Para mim, “escala” é a palavra-chave. Em março deste ano, lançamos o programa SUS Digital, com foco na transformação digital do sistema, oferecendo ferramentas para que estados e municípios da saúde trabalhassem. Somente neste ano foram destinados R$ 464 milhões para sua implementação, dos quais 88% já foram aplicados como apoio e suporte, com até 50.000 habitantes. É a primeira vez que o Brasil dispõe de um programa nacional com recursos para financiar a transformação digital. “Tivemos a adesão de todos os 5.570 municípios brasileiros”.
Entre as principais metas do SUS Digital estão a ampliação do prontuário eletrônico, integração dos sistemas de informação, aumento do acesso do paciente a seus dados de saúde, extensão da telesaúde para populações indígenas e quilombolas, além do fortalecimento da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). “Tivemos um apagão de informações durante o último governo”, comentei.
Na ponta dos usuários, a corrida digital também está aquecida. O novo app Meu SUS Digital já é o aplicativo de governo mais baixado do país. Com mais de 50 milhões de downloads e 4,5 milhões de usuários ativos, com ele é possível consultar o histórico de vacinação, a carteira de vacinação digital, verificar resultados de exames laboratoriais e até acompanhar a posição na fila do Sistema Nacional de Transplantes.
Vejo a transformação digital não apenas como implementação de tecnologia, mas como uma mudança de acesso. “Para combater os vazios assistenciais, levar saúde para quem precisa e ainda não tem, melhorar a qualidade do que a gente já oferece. Queremos prover uma assistência mais personalizada, principalmente aos pacientes crônicos, para que eles possam ter um telemonitoramento e ir à unidade somente quando realmente precisem, levando maior conforto. Do ponto de vista da vigilância, podemos ter cada vez mais predição e nos prepararmos para futuras emergências sanitárias.”
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